Cardeal pede que a igreja indique os rumos para a situação brasileira


Autor: Sedac
Data publicação: 29/09/2016

Cardeal pede que a igreja indique os rumos para a situação brasileira

Um dos atores na cena social do contexto brasileiro, a Igreja Católica é chamada a dar orientação neste momento de crise conjuntural. Desde sempre um defensor dos direitos dos trabalhadores, o cardeal Cláudio Hummes, prefeito emérito da Congregação para o Clero e arcebispo emérito de São Paulo, atual presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia e da Rede Eclesial Pan-amazônica (Repam), vê o Brasil dividido social, econômica e politicamente, mas unido no desejo de políticos honestos no governo. As declarações foram feitas durante entrevista à Rádio Vaticano, na Itália.

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Que rumo o país está tomando? – “É difícil falar de futuro, porque ainda é muito recente essa mudança, em que um partido foi afastado do poder e outros partidos acessaram. O certo é que todo este processo criou muitas discussões, e o Brasil está muito dividido, o que não é bom. Sentimentalmente também, há certos ódios que foram suscitados e que será difícil sanar, curar. Acho que hoje o Brasil está dividido de uma forma não boa. O conflito e a agressividade começaram a crescer de uns contra outros e certos ódios de vez em quando aparecem. A Igreja, é claro, deverá trabalhar muito junto, para ajudar a sanar isto. A Igreja tem este papel, o da reconciliação”.

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Ambiguidade e incertezas – “A Igreja também tem o papel de indicar rumos, claro, mesmo para este novo governo… indicar rumos. Como a Igreja vê as questões dos direitos humanos, da democracia, do futuro, a questão dos modelos de desenvolvimento, enfim, tudo isso. Muitas coisas ainda são ambíguas, assim como o próprio processo foi ambíguo, e por isso ainda há tanta discussão em cima deste processo”.

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Buraco econômico e corrupção galopante – “Não se pode deixar de reconhecer que o Brasil estava péssimo, estava indo cada vez mais para um buraco. Isto era visível, basta olhar aos números, a realidade. Houve um crescimento muito grande do desemprego, da inflação, se investia cada vez menos, e hoje, o Brasil tem enormes problemas para pagar os juros de sua dívida, que cresceu tremendamente. Além da corrupção, que se manifestou de uma maneira inacreditável. Ninguém podia imaginar o tamanho astronômico das fortunas que foram desviadas, objeto de corrupção passiva e ativa”.

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Vai levar tempo, mas o Brasil é maior do que a crise – “Todo esse processo da lava-jato é um trabalho que o Brasil está precisando. Agora se espera que o Brasil seja maior do que essa crise, como sempre foi. A História é cheia de crises assim… não é a primeira nem será a última crise que o Brasil passa, assim como todos os países passam. Mas essa crise está sacudindo bastante e vai levar um certo tempo para por o Brasil de pé de novo. Será preciso trabalhar para que seja feito num rumo bom. É verdade que as ideologias não têm mais tanta importância, os governos hoje são muito mais pragmáticos. Dependem mais dos governantes, se são capazes e honestos, do que as ideologias, todos sabemos disto. O que esperamos de fato é que se possa trazer gente para o governo que seja capaz e honesta”.

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